Sobre Ozzy Osborne
Eu até entendo se alguém chegasse e falasse: “O Vitas morreu”, e a galera respondesse com um “quem?”. Um cantor russo de origem letã, dono de um controle vocal absurdo. Foda? Foda pra caramba. Mas beleza, ele realmente é mais nichado. Não dá pra exigir que todo mundo conheça.
Também entendo que eu sou fora da curva quando o assunto é música. Gosto de clássica, tribal nórdica, canto mongol, metal, eletrônica experimental… então não sou exatamente o melhor parâmetro pra cobrar conhecimento musical da massa.
Mas, sinceramente, me espanta o orgulho com que algumas pessoas dizem que não sabem quem é Ozzy Osbourne. E não estou falando de adolescente de 14 anos. Estou falando de gente da época, que cresceu ouvindo rádio, com idade suficiente pra ter noção de quem moldou a música que ouvimos hoje.
Ozzy não foi “só” um cantor. Ele é o precursor do heavy metal. O Dio, que cantou com ele, criou o símbolo que todo mundo hoje associa ao rock com as mãos. O Black Sabbath, com Ozzy nos vocais, praticamente inventou um gênero inteiro. E mesmo assim tem quem banque o desentendido, como se Ozzy fosse só “aquele satânico lá das antigas”.
É ridículo.
Platão dizia que era possível conhecer uma república pela música que seus governantes ofereciam ao povo. E olhando para o que temos hoje… a frase bate como uma martelada. O culto à ignorância virou estética, e a memória virou peso.
Eu posso estar errado por não conhecer a filha do Gilberto Gil. Mas, com todo respeito, ela não teve 1% da relevância que o Príncipe das Trevas teve. Gêneros inteiros nasceram por causa de Ozzy e seus contemporâneos. Eles abriram caminhos que hoje são pisados por milhares, muitos sem nem saber por quem foram abertos.
E o pior: tem quem queira reduzir a obra dele a algo “diabólico”, como se suas músicas fossem rituais satânicos disfarçados. Isso é enojante. Ultrajante. Blasfêmia cultural.
Ninguém precisa gostar de Ozzy. Mas reconhecer a importância dele é obrigação de quem se diz apaixonado por música. Muito do que se faz hoje, direta ou indiretamente, nasceu daquela voz, daquela atitude, daquela coragem de ser o primeiro a berrar no escuro.
E nesse desabafo eu proclamo: minha descendência vai conhecer as fundações. Vai entender que existem lendas e modas passageiras. Porque, ao contrário do cidadão 83, que idolatra qualquer barulho, eles saberão quem são os verdadeiros deuses da música.
R.I.P. Prince of Darkness 🖤🦇🤘
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